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História dos Ícones

fotoA palavra Ícone quer dizer literalmente imagem. Em sua origem, o verdadeiro sentido de ícone é o de uma imagem que nos leva à Deus. 
Esta palavra foi emprestada da arte sacra, para adquirir novas significações no mundo contemporâneo, e tornou-se muito utilizada pelo mundo da informática e da mídia, empregada em outros sentidos.

A palavra Ícone foi tomada emprestada pelo mundo contemporâneo, onde é também empregada com outros sentidos: serve para designar uma pessoa se destaca muito em uma atividade, atualmente empregamos o termo “ícone” como um adjetivo de grandiosidade, como se a pessoa fosse um dos maiores exemplos no seu ramo. 
Seguindo esta lógica, Andy Wahrol seria um ícone da Pop-Art. Elvis Presley, um ícone do Rock and Roll. Mahatma Gandhi é um ícone do pacifismo, Marthir Luther King um ícone da luta contra o racismo, Pelé é um ícone do futebol, etc..

Na informática, a palavra Ícone assume um novo papel. Ícone, no mundo da computação, é uma pequena imagem que pode servir de atalho de acesso entre o usuário e um programa ou arquivo. No mundo dos computadores, um ícone encurta um caminho entre o usuário e um programa ou função.

Cada programa tem um ícone de entrada, para que possamos acessá-lo facilmente, através de uma imagem no monitor.

fotoCoincidentemente, em seu mundo de origem, no mundo da arte sacra tradicional, um Ícone sagrado serve como um atalho de acesso à Deus, inspirando o homem na sua conversa com o Criador (oração), indicando uma forma e um caminho de entrada no seu diálogo com Deus.

A iconografia é considerada uma vocação e um ministério da Igreja, e seus frutos colaboram para a evangelização através da imagem.

Na Igreja Ortodoxa, são considerados Santos Ícones, que recebem uma bênção especial do Bispo, antes de serem levados do atelier ao local de oração.

Por ser uma forma de evangelização e oração, a contemplação dos ícones não pode ser negada aos demais.


A ORIGEM DA PALAVRA ÍCONE, ARTE SACRA CRISTÃ ORIENTAL
do grego εικών  - eikon : IMAGEM

fotoA origem e a utilização da palavra ÍCONE é muito mais antiga, e faz alusão a uma imagem com um sentido sagrado implícito. O primeiro ícone, ou seja, a primeira imagem de Deus citada na Bíblia é a encarnação de Adão. Criado à imagem e semelhança de Deus, Adão é um ícone de Deus.

No livro de Gênesis, lemos que a primeira coisa que Adão fez foi dar nome aos animais. 

Da mesma forma, todos os ícones são nomeados. Os primeiros Ícones eram escritos em grego. A palavra Ícone é feminina em Grego e em Francês. Em português, é empregada no masculino.

Os iconógrafos costumam nomear os personagens de seus ícones na língua do país, mas adotam também encurtamentos de nomenclaturas seguindo uma tradição.

fotoJesus Cristo é freqüentemente nomeado na forma tradicional, em abreviatura grega, com seu nome escrito ao lado de seu esplendor (auréola).

Somos, segundo a Bíblia, criados segundo a imagem e semelhança de Deus.
Somos portanto, todos nós, verdadeiros ícones de Deus, ou seja, uma imagem de Deus.

Na imagem ao lado, vemos uma ilustração de iluminura sobre papel, com traços próximos da iconografia tradicional. Esta arte medieval sofreu claramente influências da estética iconográfica.

O ícone não é um objeto de arte e nem de decoração, tem como finalidade nos auxiliar na oração, entendendo-se por oração o relacionamento de uma pessoa com Deus, quando se fala com Deus como se fala com um amigo ou pessoa que amamos.

-“Como podemos pintar uma imagem de Deus, se Deus é invisível, se não podemos tocá-lo, pois não tem cor ou forma?”

Os povos islâmicos e judeus não fazem nem permitem imagens de Deus. Os muçulmanos permitem adornos fito mórficos (em formas de plantas) em suas decorações murais. 
A única representação presente nas três religiões oriundas de Abraão (islamismo, judaísmo e cristianismo) são os anjos. Cristãos protestantes, em sua maioria, não adotam o uso de imagens, exceto a imagem da Cruz.

 

fotoA Transfiguração do Senhor
Mateus, cap. 17.

A Transfiguração do Cristo visa reforçar a fé dos apóstolos, antes da paixão do Cristo. É o ícone da luz, o primeiro ícone que deve ser realizado pelo iconógrafo, "para que o Cristo faça brilhar em seu coração a luz de Sua Glória inacessível, como o fez para os apóstolos".

A presença de Deus, sem véus, transfigurada, é insustentável par os discípulos, em sua humanidade atual. Eles pediam ver e ouvir o Verbo encarnado, mesmo transfigurado e Glorioso, mas eles não podiam contemplá-la e nem ouvir a voz do Reino, sem tremer e sem cobrir os olhos, ao contrário de Moisés e Elias, que não estavam mais neste mundo.

A transfiguração nos ensina que só existe uma Luz Divina: aquela que os apóstolos viram no monte Tabor, aquela que as almas purificadas contemplam desde agora, e que é a realidade dos bens que virão...a Luz que brota no Tabor, na Transfiguração do Senhor é o prelúdio da Glória do Cristo em sua segunda vinda.
Na iconografia, a luz divina em torno do Cristo é mostrada pela Mandorla.

 

 

foto
THEÓFANO, O GREGO.

Um dos maiores iconógrafos de todos os tempos, nasceu Creta, na Grécia no ano de 1330 e foi para a Rússia no ano de 1378.
Decorou mais de 40 igrejas na Rússia, Criméia, Constantinopla e arredores. Nunca usou modelos na pintura dos ícones, como todos faziam. Traçou novos caminhos na pintura, desconhecidos até então no mundo da arte Bizantina.

Foi um dos iconógrafos criadores do iconostasis, tal qual o conhecemos em nossos dias. Executou magníficos ícones com Andrei Roublev, que foi um de seus últimos discípulos, e se transformou no maior iconógrafo de todos os tempos. Faleceu em 1410, em Constantinopla.

Em seus afrescos, podemos perceber sua grande destreza, com poucas pinceladas e algumas cores chapadas, Theófano pintou obras com força e vigor, residindo nisto sua grande maestria. Com pouco, diz muito.

"Dormição", Theófano o Grego, cerca de 1392.



FOTONos mosteiros do Monte Athos, mais conhecido centro de iconografia da Grécia (e do mundo), a entrada de visitantes é extremamente limitada e a arte da iconografia é uma tradição, transmitida como aprendizado oral, entre os monges iconógrafos. 

São muitas as histórias que tratam sobre monges que jejuam e oram durante dias antes de começar a pintura de ícones. Em alguns atelieres de ícones, existe a reverência e o silêncio requeridos em todo lugar sagrado. Em outros, os pintores conversam livremente, sempre respeitando o nobre fim para o qual estão reunidos.

Caligrafia é a arte de copiar letras, com uma escritura específica. Iconografia é a arte de copiar imagens sacras, com traçados característicos desta arte e com suas técnicas específicas. Seguindo esta lógica, um iconógrafo não é um criador de imagens sacras. O iconógrafo não é mais do que um copista, que tem a intenção de levar até sua geração as imagens tradicionais de representação do mundo divino, seguindo os cânones da Igreja. 

FOTOContrariando esta regra, percebemos que bons iconógrafos não se contentam com a vasta listagem de ícones tradicionais, e que, fugindo à regra, são capazes de criar novos ícones de Santos mais recentes, como vemos ao lado, na criação contemporânea da iconógrafa e teóloga ortodoxa Hélène Iankoff:  o ícone de Santa Joana d´Arc, que utiliza a flor de Lis, símbolo da realeza Francesa, como elemento de moldura, douração e tratamento tradicional na representação do rosto e mãos.

A iconografia herdou traços da arte funerária de Fayoum, situada no delta do Nilo, no Egito.

As primeiras  representações do Cristo Pantocrator eram feitas em encáustica (pintura com cera de abelha) sobre madeira, da mesma forma que os retratos funerários egípcios.

Nas fortes expressões dos olhos percebemos a herança destes retratos adotada pela iconografia dos primeiros séculos cristãos.

O novo testamento tem uma nova visão e abre uma nova perspectiva com a vinda de Jesus. 
Cristo disse:

“Vocês que me vêem, vêem também meu pai”.  João 14, 9.

FOTODeus se exprimiu em uma vida humana, através de Jesus Cristo. Em Colossenses 1,15 lemos:

“Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”.

Olhando um ícone na comunidade ecumênica de Taizé, um jovem disse: “tenho a impressão de que estou olhando para alguém que me entende”.

Esta proximidade pacífica e intima é obtida através de uma imagem espiritual, cuja aparente passividade nos lembra de que é necessário apaziguar os próprios sentimentos, pois somente na calma e na tranqüilidade podemos orar, ouvir a voz de Deus e a voz dos outros.

Um ícone pode retratar uma imagem de Cristo ou de uma pessoa que teve uma vida comparável à de Cristo. 


Um verdadeiro ícone não tem nada de sentimental ou de psíquico, são imagens puramente espirituais, e este é, aliás, o seu maior valor, visto que seu valor venal é puramente temporal, assim como o que ocorre nas melhores obras de arte produzidas pela humanidade.

FOTOUm ícone se difere de uma obra de arte renascentista por diversas razões. O tratamento da perspectiva, as proporções do corpo e os planos representados em um ícone não seguem as regras conhecidas no mundo da arte, mas sim as regras de uma dimensão divina, que são diferentes das regras deste mundo. 

A ausência de uma paisagem mundana mais elaborada também simboliza esta entrada no mundo divino.

Não existe lugar para o supérfluo, somente para o essencial, assim como ocorre também nos evangelhos.

O que diferencia uma Madonna renascentista de Leonardo Da Vinci e um ícone de Nossa Senhora da Ternura (Notre Dame de la Tendresse) é, sobretudo, o fato de que um ícone é uma imagem espiritual, não carnal.
A sensualidade presente em uma Madona Renascentista, com suas formas redondas e seios fartos, não acontece na iconografia tradicional.
A relação entre o menino Jesus e Maria demonstra carinho, como na imagem de Nossa Senhora  da Ternura, porém não se trata de uma relação carnal, como o que podemos ver em uma obra renascentista.

A PERSPECTIVA INVERTIDA

FOTOAo contrário do que ocorre na pintura clássica, onde o ponto de fuga está na linha do horizonte, no ícone o observador é no ponto de fuga, como se o ícone fosse uma janela aberta para o mundo divino, que é admirado da perspectiva daquele que ora.

A perspectiva iconográfica é invertida para deixar claro que a realidade deste mundo superior é totalmente diversa da realidade terrena.

Através da perspectiva invertida, Deus coloca o homem no centro de toda sua criação. O ponto de fuga, para onde tudo converge está em quem ora diante de um ícone.

O homem está no centro da criação.

Os ícones não são assinados, pois não representam uma tradição de um pintor ou de um atelier, mas a tradição da imagem divina na Igreja. Note que a luz de um ícone não vem de um ponto fixo, do sol ou da lua, quando o cristo é representado, ele simboliza a própria luz.

Nas palavras do Bispo e iconógrafo Jean de Saint Denis, da Igreja Ortodoxa Francesa:

FOTO

“Na arte do ícone, o tema da obra não é o seu autor. O autor está submisso ao tema, ao cânon, à objetividade, à uma regra que está além dele. Então, me responderão vocês: e meu talento? Meus amigos, se vocês têm talento, nenhum contratempo vos trará prejuízo, e se vocês não têm, melhor ainda!...


Nós devemos nos deixar humilhar pelo tema, aceitar uma certa abnegação de nosso EU, sem que isto impeça nossa personalidade de atuar em seu papel, pois existe um elemento de oração, de contemplação pessoal, algo que vem de fora e desta união nasce a ARTE SACRA cujo objetivo é o de ultrapassar o subjetivismo e de evitar principalmente todo equívoco”.

Os verdadeiros iconógrafos não se permitem interpretar. Ao contrário, limitam-se a transmitir uma tradição, uma herança espiritual, através da cópia de uma imagem. 
Aqueles que se permitem assinar um Ícone estão equivocados e demonstram desconhecer a tradição iconográfica.

 

FOTOO pintor de ícones tem como finalidade reproduzir o mundo divino e testemunhar sobre uma representação divina, que cremos ter sido inspirada espiritualmente.

A pintura de ícones tem cerca de 2000 anos e começou com os primeiros Cristãos.

É interessante notar que São Lucas provavelmente pintou o retrato de São Pedro, com as características fisionômicas típicas de um indivíduo de Áries, em penitência, e de São Paulo, com um ar mais intelectual. Em 1930, durante escavações em Roma foram encontradas medalhas representando os dois apóstolos, com o mesmo tipo de rostos.

A maior parte dos iconógrafos se recusam a escrever manuais e livros que ensinem a técnica da iconografia, acreditando que devido à iniciação espiritual (ascese) necessária para tal arte, ela deva ser confinada em ambientes estritamente religiosos. O ensino de ícones é antes de tudo uma tradição oral, o que preserva, segundo a iconógrafa Hélène Iankoff, um lado magnífico no aprendizado. Segundo esta teóloga ortodoxa, os primeiros iconógrafos cristãos pintaram ícones, ancorados no mundo celeste, inspirados pelo Espírito Santo. Os Ícones possuem duas vertentes históricas principais, a iconografia de Maria e do Cristo.



FOTOOS ÍCONES DE MARIA

Segundo conta a lenda, o apóstolo São Lucas, que também era médico, teria pintado 3 grandes modelos de ícones da Virgem Maria:

1) A virgem carinhosa (Nossa Senhora da Ternura), com o menino Jesus. Ícone de grande beleza e estabilidade, é reproduzida por grande parte dos iconógrafos.

 

 

 

 

FOTO2) A virgem Hodiguitria, aquela que mostra o caminho.

Na iconografia de Maria, chamada na ortodoxia de a "Mãe de Deus", a imagem da Hodiguitria ocupa um lugar privilegiado. Ela continua sendo a imagem preferida no mundo ocidental. Mas sua origem é oriental, e sua lenda é atribuída à um milagre da Santa Virgem:
Em Constantinopla, a "Mãe de Deus" teria aparecido à dois cegos. Levando-os pelas mãos ela os teria conduzido ao célebre mosteiro e santuário da Hodiguitria onde ela os teria curado da cegueira.

Construído por Miguel III (842-867), o santuário era chamado de a Igreja dos Guias, pois o chefe do exército, antes de partir para a batalha, vinha rezar diante do ícone que levava o nome do Santuário. Desde este tempo, os cegos e os que sofriam doenças nos olhos vieram até a fonte próxima desta Igreja, na intenção de encontrar a cura milagrosa.

Hodiguitria - Aquela que mostra o Caminho. Século XIV

 

Esta lenda fez com que esta imagem da Hodiguitria fosse adotada como uma fonte de Graça para aqueles que procuram Deus. Além disto, ela nos ajuda a compreender Maria como sendo a Hodiguitria, ou seja, literalmente, aquela que "mostra o caminho" em direção à Deus.



FOTO3) A virgem do sinal – Emanuel, o Cristo, referência à profecia de Isaías.

É difícil definir historicamente o processo de surgimento dos diversos ícones de Maria. No entanto, sabemos que a Kyriotissa (Aquela que reina em Majestade) é a primeira representação de Maria, depois surgiu a Hodiguitria (Aquela que mostra o caminho) e a Éléousa (Virgem da Ternura) fonte: Egon Sendler S.J., Icônes byzantines de la Mère de Dieu, 1992, pp. 83-164).

Kyriotissa, aquela que reina em majestade. Escola de Moscou, século XV.

 

       
O TIPO "ORANTE"

Podemos também distinguir a Mãe de Deus (Virgem) Orante, que pode ser representada com ou sem o menino Jesus. A imagem de um homem ou de uma mulher rezando (figura orante), que foi encontrada nas catacumbas dos primeiros Cristãos de Roma, pode ter dado origem à este ícone. As imagens tais quais são conhecidas em nosso dias começaram a aparecer no século XI, e vem sendo iconografadas desde então.

A grande Panaghia de Yaroslavl
A Virgem da Encarnação
Século XII


 

O TIPO "ELEOUSA"

fotoNossa Senhora da Ternura
de Vladimir

 


 

 

fotofotoSÃO LUCAS, APÓSTOLO E ICONÓGRAFO

 

São Lucas pintando a Nossa Senhora da Ternura, ícone de Hélène Iankoff, do atelier Saint Luc de Paris.

 

 

A ICONOGRAFIA DO CRISTO

A iconografia de Cristo é inspirada na figura do do lenço conhecido como Mandylion, cuja história se confunde com a do Santo Sudário, lençol de linho (atualmente em Turim, Itália) onde ficou impressa a figura do Cristo e também com a história do tecido de Verônica, mulher que teria enxugado o rosto de Cristo durante sua paixão.

Verônica é o nome atribuído à esta mulher, junção de palavras que decorrem de VERA ÍCONA, ou seja, verdadeira imagem.

Este lenço seria o verdadeiro ícone do Cristo. 

Verônica enxugando o rosto de Cristo. técnica mista sobre madeira preparada, de Sérgio Prata, para a Igreja Santo Expedito, de São Paulo.

 

A HISTÓRIA DO MANDYLION

A história do tecido chamado de Mandylion passa por diversas culturas e países. O padre e iconógrafo Marcelo Bertani, lembra que a lenda do Mandylion provavelmente nasceu ao redor do próprio Santo Sudário, confundindo-se com este. Um moderno pesquisador do Sudário, após o teste do carbono 14, diz que é impossível analisar com certeza a datação correta do Santo Sudário, pois as bactérias e polens que se instalam sobre o tecido se renovam a cada abertura e exposição deste.
Entre os primeiros possuidores do tecido que contém a imagem do Cristo (conhecido como Mandylion), estaria a cidade de Edessa, onde surgiu a lenda que ele teria sido um presente do próprio Cristo ainda vivo para o Rei Abgar. Existe aí uma divergência entre o Mandylion e o Santo Sudário: sabemos que o Sudário é do Cristo morto. Porém as coincidências são muitas e acredita-se que o Mandylion apresentava somente o rosto pois estava dobrado.
Conta a lenda, que, acometido de lepra ou gota, o Rei Abgar de Edessa teria ouvido sobre as curas milagrosas realizadas por Jesus na Judéia. O Rei teria insistido para que um mensageiro (Hannan) levasse até Jesus uma carta, e o trouxesse até ele.
Existem teorias divergentes sobre as cartas do Rei Abgar e a resposta enviada por Jesus, que são citadas por historiadores, atestando sua falsidade ou veracidade. 
Jesus estava na casa de um Religioso Judeu, quando recebeu o pedido do Rei Abgar através do mensageiro, e não podendo ir até Edessa, enxugou o rosto em uma toalha e a entregou ao mensageiro, que encarregou-se de levá-lo rapidamente ao Rei Abgar. Diz a mensagem do Cristo que o Rei seria curado, após sua ascensão aos céus.

Era prática das antigas cidades do Oriente Médio se colocar uma imagem sobre a porta da entrada dos muros da cidade, representando a figura da divindade ou crença favorita de seu povo. Sabe-se que em 544 d. C. o tecido com a imagem do Cristo foi encontrado sobre a porta de Edessa, e muitos acreditam que tal tecido seja o lençol que foi escondido durante a perseguição contra os Cristãos.

Sabe-se que durante as perseguições, nos 3 primeiros séculos da cristandade, muitas relíquias, escrituras e itens cerimoniais foram destruídos em uma rotina de iconoclasmo.


As perseguições duraram até o tempo do imperador Constantino.
De fato, o lençol deve ter sido retirado de Edessa no começo do primeiro século, escondido para sua proteção durante o reinado de Ma'nu VI, filho do Rei Abgar, que se converteu do paganismo, ao ver seu pai curado pelo Mandylion e convertido ao Cristianismo.

 

 

Este tecido foi levado para Constantinopla pelas cruzadas em 1214.
Alguns historiadores ortodoxos acreditam que cavaleiros das cruzadas foram capazes de destruir esta imagem sacra (mandylion) com poderes de cura, em um ímpeto de iconoclasmo.


Outros historiadores católicos vêem claros indícios de que estes cavaleiros franceses o tenham levado até a França, e que este seja, de fato, o Santo Sudário de Turin, traçando um trajeto coerente com relatos históricos.

 

O ÍCONE DO CRISTO PANTOCRATOR DO MOSTEIRO SANTA CATARINA DO SINAI.

No ano de 544 d.C., um lençol com a imagem de Jesus foi descoberto escondido acima de uma porta, nas paredes de Edessa. Seis anos após esta descoberta, um ícone do Pantocrator foi pintado no monastério de Santa Catarina, no Sinai.



Existem muitas similaridades entre este ícone e o sudário de Turin, incluindo o posicionamento dos olhos, nariz e lábios. Quando criamos uma sobreposição entre as duas imagens, podemos visualizar mais facilmente as semelhanças.
Note que o cabelo do lado direito cai sobre o ombro, como na imagem da Santa Síndone. O comprimento do nariz, a largura dos olhos, o comprimento do pescoço, enfim, os traços fisionômicos são coincidentes.

É interessante notar que uma brusca mudança na tradição de representação do Cristo surge logo após a descoberta do lenço escondido nas paredes de Edessa.

Antes desta descoberta, Cristo era representado como um jovem pastor com traços do Apolo Grego. Após a descoberta do Mandylion, Cristo passou a ser representado em retratos plenamente frontais, com traços coincidentes ao rosto visível no Santo Sudário, hoje conservado em Turin, Itália.

Em Deus, tudo está previsto.

Pintura de um ícone em têmpera sobre madeira preparada em levkas, de Sérgio Prata, 1999, para a filmagem do DVD técnicas de Pintura.

A tradução de Yahvé, ou seja, da palavra Deus é:
- “Eu sou aquele que te faz ser o que você tem que ser, com toda minha ternura”.

A LENDA DO SANTO KERAMION

Conta-se que quando houve uma invasão bárbara na cidade-estado de Edessa, (atual Urfa, na Turquia, fundada em 304 a.C.) o Bispo colocou o Mandylion dobrado entre duas placas de cerâmica e o escondeu na muralha da cidade, para que não fosse destruído.

Diz a lenda até que o Bispo deixou uma lâmpada de óleo acesa dentro da parede, ao lado do Sudário, e que esta lâmpada estava acesa, séculos mais tarde, quando foi reencontrado. O mais espetacular é que a face teria sido impressa também sobre a cerâmica que estava sobre ela, em imagem invertida.

Urfa (Edessa) é também a cidade onde nasceu Abraão, e o local onde ele nasceu pode ser visitado, ainda hoje, pelos turistas.

Daí a tradição de se fazer a face de Cristo sem o lenço por trás, sobre um fundo ocre, para indicar a imagem impressa na cerâmica, conhecida como o Santo Keramion.

 

 

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ICONES

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